O lançamento da campanha pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário em São Paulo ocorreu ao mesmo tempo em que trabalhadores de outras cidades também iniciavam a mobilização para colher assinaturas em apoio à proposta que tramita no Congresso Nacional. A data, dia 11 de fevereiro, coincide com o início das atividades legislativas em Brasília.
Por Osvaldo Bertolino (matéria atualizada às 22h15)
Mais de mil pessoas foram ao ato
Com a presença de mais de mil pessoas, as centrais sindicais lançaram, na segunda-feira (11), a campanha nacional pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário. No início do evento, ocorrido no centro da cidade de São Paulo, os oradores anunciaram que os metalúrgicos paulistas ligados à Força Sindical atrasaram em uma hora o início da jornada, em 32 municípios do Estado, como parte da campanha.
O ato oficial começou com o pronunciamento do presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, que saudou uma manifestação de motoboys que protestavam contra as medidas que penalizam os motociclistas - entre elas o excesso de multas e o aumento abusivo do seguro obrigatório. Em seguida, o presidente da CTB disse que aquele ato estava lançando a campanha em todo o país e que a demonstração de unidade do movimento sindical em torno da bandeira da redução da jornada de trabalho era um passo decisivo.
Veja o vídeo: http://br.youtube.com/watch?v=gjnE1iPglpg
CTB defende 1º de Maio unificado
Wagner Gomes lembrou que o Brasil tem uma grande dívida com os trabalhadores - a má distribuição da renda nacional. ''A redução da jornada de trabalho sem reduzir o salário é uma das formas para combater a concentração da renda nas mãos de poucos, o retrato da injustiça social em nosso país'', afirmou. O presidente da CTB também conclamou os trabalhadores a fazer um grande esforço para coletar as assinaturas até o 1º de maio - quando a campanha deverá ganhar novo impulso. ''Está na hora de as centrais fazer um 1º de Maio unificado e fazer também um congresso para unificar as lutas pelas principais bandeiras dos trabalhadores'', finalizou.
O integrante da direção nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Antonio Carlos dos Reis, o Salim, disse que a unificação das centrais é a garantia de mais dignidade para os trabalhadores. E citou os exemplos do aumento real do salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda (IR), que, segundo ele, foram resultados da unificação das centrais. ''Agora, precisamos desta unidade para fazer os congressistas, os governantes, votarem a favor do projeto dos senadores Paulo Paim e Inácio Arruda'', disse.
Luizinho, representante da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), afirmou que a bandeira prioritária das centrais é mais e melhores empregos. ''Para acabar com a informalidade do trabalho no Brasil, é preciso quebrar o gesso constitucional que impede a redução da jornada'', afirmou, em alusão ao fato de a Constituição estabelecer a jornada de trabalho em 44 horas semanais. ''Por isso, estamos empenhados em fazer com que os congressistas ouçam a classe trabalhadora'', disse ele. Ao mesmo tempo, segundo o representante da NCST, é preciso cobrar urgência para a legalização das centrais.
Regulamentação das convenções da OIT
Pela Força Sindical, primeiro falou José Eleno Bezerra - presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi, e vice-presidente da central. ''Quero ressaltar a importância deste grande passo que as centrais unidas estão dando em defesa dos direitos dos trabalhadores'', afirmou. ''Com a redução da jornada, os trabalhadores terão mais tempo para estudar, se capacitar - além de ter mais tempo para o lazer'', afirmou. José Eleno Bezerra também lembrou que os metalúrgicos paulistas iniciaram o dia com paralisações para marcar o lançamento da campanha.
Edílson de Paula, presidente paulista da sessão estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT), também lembrou que a 4ª Marcha, realizada no ano passado, resultou em aumento real do salário mínimo e na correção da tabela do IR. ''Agora, esta unidade não pode se restringir a este ato - ela precisa chegar aos locais de trabalho'', destacou. Edílson de Paula também comentou a decisão do governo Lula de enviar ao Congresso Nacional a regulamentação das convenções 151 e 158 da OIT como resultado da luta unitária das centrais.
Cartão corporativo e cartão de ponto
Gilson Reis, presidente do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Simpro-Minas) e coordenador da CTB naquele Estado, anunciou que uma delegação mineira estava presente e que ao mesmo tempo um ato semelhante estava ocorrendo em Belo Horizonte. Segundo ele, três questões fundamentais deveriam ser destacadas na campanha: a redução da jornada, que não ocorre desde a Assembléia Nacional Constituinte de 1988; a alta produtividade do trabalho registrada nos últimos anos; e a defesa de uma agenda política do trabalho, que se oponha à tentativa da direita de impor a sua agenda conservadora.
Gilson Reis destacou que enquanto a direita tenta impor a agenda dos cartões corporativos, as centrais defendem a agenda do cartão de ponto, do trabalhador. ''Redução da jornada, reforma agrária, reforma tributária justa para o trabalhador e desenvolvimento com valorização do trabalho é a agenda que as centrais defendem'', afirmou. Ele também lembrou que a unidade dos trabalhadores é a bandeira mais importante para o desenvolvimento destas lutas.
Taxa de juros e remessa de lucros
O vice-presidente nacional da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, também destacou a importância da unidade das centrais sindicais. ''Esta unidade da classe operária é que nos leva à vitória'', disse ele. ''Só unidos sairemos vitoriosos desta batalha'', afirmou. Para Bira, a redução da jornada de trabalho é fundamental para combater o desemprego. ''Sem trabalho, o trabalhador e sua família não têm saúde, moradia, alimentação e se desagrega'', destacou. ''O emprego é um direito do trabalhador'', enfatizou.
Bira também falou sobre a alta taxa de juros praticada pelo Banco Central (BC) - segundo ele um dos fatores que causam tanto desemprego no país. Segundo ele, Henrique Meirelles, presidente do BC, está tentando sabotar a economia nacional e enganando o presidente Lula ao dizer que o país precisa de uma taxa de juros elevada. O vice-presidente da CGTB também falou sobre a remessa de lucros pelas multinacionais ao exterior, que alcançou US$ 21,2 bilhões em 2007. ''Enquanto eles enviam este lucro para fora, pagam salários miseráveis aqui'', disse ele.
Combate também ao banco de horas
O presidente da UGT, Ricardo Patah, disse que a redução da jornada tem dois vieses: a educação do trabalhador, que hoje enfrenta uma jornada que impede a dedicação aos estudos; e a criação de empregos. Patah também afirmou que é preciso combater o banco de horas - segundo ele uma situação de descaso com a saúde e a vida social dos trabalhadores. O presidente da UGT destacou que uma minoria da sociedade concentra grandes riquezas sem trabalhar enquanto a imensa maioria trabalha até mais de 50 horas por semana. ''As centrais unidas têm força e voz para começar a mudar esta situação'', afirmou.
Outro representante da Força Sindical, o secretário-geral da central João Carlos Gonçalves, o Juruna, declarou que a conquista da redução da jornada será fundamental. ''As centrais trabalhando unitariamente é a certeza de que podemos obter esta vitória'', disse ele. Juruna lembrou que a luta pela redução da jornada é antiga. Segundo ele, desde o início do século XX que os trabalhadores têm esta bandeira como uma de suas prioridades. As vitórias obtidas ao longo desta luta, afirmou, podem continuar agora com esta campanha.
CUT defende unidade na Luta
O presidente nacional da CUT, Artur Henrique da Silva Santos, lembrou que há 20 anos não ocorre redução da jornada de trabalhão no Brasil. ''Nestes 20 anos, os empresários elevaram seus lucros por meio da produtividade'', disse ele. Segundo Artur, a produtividade da indústria brasileira cresceu 150% nos últimos 15 anos. ''Os salários médios no Brasil ainda estão abaixo da maioria dos países que mantêm relações comerciais conosco. Esses dois fatores comprovam que há não apenas espaço, mas necessidade da redução da jornada'', ressaltou.
Ele também destacou que com a redução da jornada de 44 para 40 horas será possível gerar mais de 2,2 milhões de empregos, repartindo com o conjunto da sociedade os imensos ganhos obtidos com o aumento da produtividade. Sobre a unidade das centrais nesta campanha, Artur disse que ela tem grande importância. Segundo ele, cada central tem a sua forma de interpretar a conjuntura política e outras questões pertinentes aos trabalhadores, mas a unidade na luta é muito importante.
Importância para as mulheres
Outra questão relevante lembrada no ato foi o papel das mulheres nesta campanha. A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs) e dirigente da CUT Lucilene Binsfeld, a Tudi, disse que a redução da jornada é importante para o bem-estar do trabalhador, valorizando o convívio familiar e o direito ao lazer. A presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo - filiado à Força Sindical -, Eunice Cabral, também falou sobre a importância da redução da jornada de trabalho para as mulheres.
A secretária de formação e cultura da CTB, Celina Arêas, lembra que o ato de lançamento da campanha marcou o início de uma luta que tem particular importância para as mulheres. ''Para se ter uma idéia desta importância, no país 109,2 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade declaram exercer atividades domésticas, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, de 2001 e 2005'', afirma. Celina Arêas destaca que a dupla jornada atinge principalmente as mulheres. ''As mulheres têm um percentual de participação em afazeres de casa de 90,6% (71,5 milhões), enquanto 51,1% (37,7 milhões) dos homens realizam esse tipo de tarefa'', afirma.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Em seu 13º congresso, PC Peruano busca renovação
Cumprindo sua agenda internacionalista, o PCdoB participou, nos dias 31 de janeiro a 3 de fevereiro, do 13º Congresso Nacional do Partido Comunista Peruano. A legenda brasileira foi representada pelo secretário de Relações Institucionais, Ronald Freitas. O evento aconteceu na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Peru, na capital, Lima. Participaram 320 delegados vindos de todas as províncias do país, além de uma delegação da célula européia do partido.
Freitas com Renan Raffo, do PC Peruano
Também participaram dos trabalhos cinco delegações estrangeiras da Argentina, Chile, Grécia, Alemanha e Brasil. Dentre os delegados, uma variada gama de representantes de setores populares. A maioria deles era composta por operários e representantes do povo, com predominância de índios e mestiços, o que demonstra a inserção do partido nas camadas mais populares do Peru.
“O ato de abertura foi bastante vibrante, com acentuado caráter de combatividade e unidade internacionalista”, disse o dirigente brasileiro. O quadro geral do país e do partido peruano ficou a cargo do secretário-geral do Partido Comunista Peruano, Renan Raffo. Segundo Freitas, a apresentação foi marcada pelo reconhecimento dos avanços, mas também pela constatação da necessidade de se ampliar mais o trabalho do partido e de melhorar as relações com outros setores da esquerda peruana.
Além disso, chamou atenção de Ronald Freitas o nível das intervenções políticas. “Todos tinham um discurso muito bem estruturado e com forte acento classista e de defesa do partido”. Entre elas, a intervenção sobre políticas sociais destacou a necessidade de politização dos movimentos e da formação de uma coordenação política-social para buscar unificar as lutas dessa frente.
ReconstruçãoO Partido Comunista Peruano, fundado em 1928, tem uma longa tradição política no Peru, tendo inclusive participado do governo do general Velasques Alvarado. Ainda hoje, o PCP sofre os efeitos da queda da União Soviética, que atingiu comunistas de todo o mundo. “O partido resistiu à onda demissionista e liquidacionista e agora vive uma fase de reorganização política, orgânica e ideológica”, disse Freitas.
Segundo o Freitas, o partido tem fortes vínculos com o movimento operário e sindical e participa da direção da CGTP, além do movimento camponês e tem significativa presença junto a setores intelectuais e acadêmicos. Busca, atualmente, ampliar sua ligação com as camadas populares das regiões periféricas das grandes cidades. “Provavelmente em decorrência desse processo de ressurgimento partidário que está em curso, os debates foram muito intensos, na busca de se abrir um caminho para a atuação comunista sintonizada com a situação atual do Peru”, lembrou Freitas, ressaltando que um dos assuntos que mais gerou polêmica foi a proposta de unificação com o Pátria Roja.
O informe político foi aprovado por unanimidade e o comitê central do PCP foi renovado, com maior participação dos jovens.
Da redação,com Secretaria de Relações Institucionais
Freitas com Renan Raffo, do PC Peruano
Também participaram dos trabalhos cinco delegações estrangeiras da Argentina, Chile, Grécia, Alemanha e Brasil. Dentre os delegados, uma variada gama de representantes de setores populares. A maioria deles era composta por operários e representantes do povo, com predominância de índios e mestiços, o que demonstra a inserção do partido nas camadas mais populares do Peru.
“O ato de abertura foi bastante vibrante, com acentuado caráter de combatividade e unidade internacionalista”, disse o dirigente brasileiro. O quadro geral do país e do partido peruano ficou a cargo do secretário-geral do Partido Comunista Peruano, Renan Raffo. Segundo Freitas, a apresentação foi marcada pelo reconhecimento dos avanços, mas também pela constatação da necessidade de se ampliar mais o trabalho do partido e de melhorar as relações com outros setores da esquerda peruana.
Além disso, chamou atenção de Ronald Freitas o nível das intervenções políticas. “Todos tinham um discurso muito bem estruturado e com forte acento classista e de defesa do partido”. Entre elas, a intervenção sobre políticas sociais destacou a necessidade de politização dos movimentos e da formação de uma coordenação política-social para buscar unificar as lutas dessa frente.
ReconstruçãoO Partido Comunista Peruano, fundado em 1928, tem uma longa tradição política no Peru, tendo inclusive participado do governo do general Velasques Alvarado. Ainda hoje, o PCP sofre os efeitos da queda da União Soviética, que atingiu comunistas de todo o mundo. “O partido resistiu à onda demissionista e liquidacionista e agora vive uma fase de reorganização política, orgânica e ideológica”, disse Freitas.
Segundo o Freitas, o partido tem fortes vínculos com o movimento operário e sindical e participa da direção da CGTP, além do movimento camponês e tem significativa presença junto a setores intelectuais e acadêmicos. Busca, atualmente, ampliar sua ligação com as camadas populares das regiões periféricas das grandes cidades. “Provavelmente em decorrência desse processo de ressurgimento partidário que está em curso, os debates foram muito intensos, na busca de se abrir um caminho para a atuação comunista sintonizada com a situação atual do Peru”, lembrou Freitas, ressaltando que um dos assuntos que mais gerou polêmica foi a proposta de unificação com o Pátria Roja.
O informe político foi aprovado por unanimidade e o comitê central do PCP foi renovado, com maior participação dos jovens.
Da redação,com Secretaria de Relações Institucionais
Lei garante vínculo das gestantes com maternidade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que garante o direito à gestante atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de conhecer e vincular-se a uma maternidade antes do parto. A lei, de autoria da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), determina que a grávida também saberá previamente em qual unidade de saúde será atendida nos casos de intercorrência pré-natal.
Segundo Erundina, a nova legislação acabará com a indefinição a respeito da maternidade até momentos antes do nascimento da criança, o que ocasionava total insegurança para os pais, demonstrando assim a falta de planejamento e de organização dos serviços de saúde.
"A peregrinação, de porta em porta, na busca por vaga em maternidades freqüentemente lotadas e inaptas a realizar partos mais complicados gera centenas de casos de partos de emergência e é fruto da falta de estrutura", explica a deputada.
Conforme a lei, em vigor em todo o País desde o final do ano passado, a vinculação da gestante à maternidade deve ser feita no ato de inscrição no programa de assistência pré-natal nos serviços municipais de saúde, sob a responsabilidade do SUS. O hospital ao qual se vinculará a futura mãe deverá ser comprovadamente apto a prestar a assistência necessária de acordo com a situação de risco gestacional.
O texto afirma ainda que o Sistema Único de Saúde analisará os pedidos de transferência da gestante, em caso de comprovada falta de aptidão técnica e pessoal da maternidade. O SUS também cuidará da transferência segura da parturiente.
Segundo Erundina, a nova legislação acabará com a indefinição a respeito da maternidade até momentos antes do nascimento da criança, o que ocasionava total insegurança para os pais, demonstrando assim a falta de planejamento e de organização dos serviços de saúde.
"A peregrinação, de porta em porta, na busca por vaga em maternidades freqüentemente lotadas e inaptas a realizar partos mais complicados gera centenas de casos de partos de emergência e é fruto da falta de estrutura", explica a deputada.
Conforme a lei, em vigor em todo o País desde o final do ano passado, a vinculação da gestante à maternidade deve ser feita no ato de inscrição no programa de assistência pré-natal nos serviços municipais de saúde, sob a responsabilidade do SUS. O hospital ao qual se vinculará a futura mãe deverá ser comprovadamente apto a prestar a assistência necessária de acordo com a situação de risco gestacional.
O texto afirma ainda que o Sistema Único de Saúde analisará os pedidos de transferência da gestante, em caso de comprovada falta de aptidão técnica e pessoal da maternidade. O SUS também cuidará da transferência segura da parturiente.
Parlamentares comunistas condenam redução da maioridade penal
A proposta de redução da maioridade penal chega ao plenário do Senado pela primeira vez. A matéria é o terceiro item da pauta da Casa, que terá sessão de votação nesta terça-feira (12). Os parlamentares comunistas - Manuela D´Ávila (RS) e Flávio Dino (MA) - se posicionam contra a proposta que reduz de 18 para 16 anos a idade mínima para adolescentes serem responsabilizados criminalmente. O assunto ganhou destaque no debate a partir da morte do garoto João Hélio, no ano passado, no Rio de Janeiro.
Para a deputada Manuela (PCdoB-RS), a votação da matéria no Senado vai na contra mão do que está sendo debatido na Câmara, onde está em fase de emendamento dois projetos de atendimento à juventude – o Pró-Jovem e o Pronasci. "Quando o Senado retrocede e debate uma pauta velha prova a mera tentativa de tapar o sol com a peneira, buscando falsa solução para problemas estruturais que demonstram o descaso do Estado com os jovens".
O deputado Flávio Dino (PCdoB-MA) lamenta que grande parte do debate tenha ficado restrita à questão da redução da maioridade penal, por conta da participação de um menor no assassinato de João Hélio. Ele lembrou que, dos cinco autores do crime, apenas um era menor de idade. “Além disso, as estatísticas demonstram que a imensa maioria dos crimes violentos do País, cerca de 98%, não envolvem menores de 18 anos”, argumentou.
Ele ressaltou que há obstáculos claros na Constituição que dificultam o debate sobre a redução da maioridade penal. Segundo o parlamentar, mais útil para coibir a violência é “dar cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente, incompreendido e não cumprido, cuja faceta punitiva precisava ser lembrada”.
Lei antiga
O Código de Processo Penal fará 67 anos em 2008. O parlamentar comunista lembra que a legislação que regula o julgamento dos homicidas é a mesma há quase sete décadas. “Obviamente esse anacronismo faz com que haja um enorme tempo entre a data do fato delituoso, criminoso, que choca a sociedade e vitima famílias, e o momento em que finalmente o Poder Judiciário consegue entregar o resultado de sua atividade”, avaliou.
Flávio Dino faz apelo para que as matérias relativas ao tema da segurança pública sejam encarados como um dos desafios no Legislativo Federal logo neste início de 2008.
"Vários projetos de lei visando melhorar a questão da Segurança Pública no Brasil foram apresentados ou desengavetados na época do caso João Hélio, num esforço considerável mas que, agora, deve ser levado adiante, ou seja, eles precisam ser votados pelo Congresso e colocados em prática o mais rápido possível".
Proposta do DEM
O projeto de redução da maioria penal que tramita no Senado é de autoria do então senador e hoje governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM). Se chegar à Câmara, encontrará outras 20 propostas de emenda Constituição tratando do mesmo assunto. Na Câmara, a mais antiga PEC que trata da redução da maioridade penal, tramita na Casa há 15 anos desde 1993. Até hoje não foi votada por falta de entendimento.
Por ser uma proposta de emenda Constituição, a matéria precisa ser aprovada em dois turnos no plenário antes de seguir para a Câmara dos Deputados. Para isso, são necessários os votos favoráveis de pelo menos 49 dos 81 senadores. Se esse placar não for atingido, a proposta é arquivada.
Um ano da morte
No último dia 7 de fevereiro, completou um ano da morte do menino João Hélio, que foi morto por assaltantes num subúrbio do Rio de Janeiro, arrastado preso ao cinto de segurança do carro recém roubado de sua mãe, durante sete quilômetros.
O caso causou grande comoção, mobilizando a Câmara dos Deputados, cuja Comissão de Segurança Pública promoveu uma série de debates com especialistas de todo o país sobre os problemas da área, recebendo, inclusive, os pais de João Hélio.
De BrasíliaMárcia Xavier
Para a deputada Manuela (PCdoB-RS), a votação da matéria no Senado vai na contra mão do que está sendo debatido na Câmara, onde está em fase de emendamento dois projetos de atendimento à juventude – o Pró-Jovem e o Pronasci. "Quando o Senado retrocede e debate uma pauta velha prova a mera tentativa de tapar o sol com a peneira, buscando falsa solução para problemas estruturais que demonstram o descaso do Estado com os jovens".
O deputado Flávio Dino (PCdoB-MA) lamenta que grande parte do debate tenha ficado restrita à questão da redução da maioridade penal, por conta da participação de um menor no assassinato de João Hélio. Ele lembrou que, dos cinco autores do crime, apenas um era menor de idade. “Além disso, as estatísticas demonstram que a imensa maioria dos crimes violentos do País, cerca de 98%, não envolvem menores de 18 anos”, argumentou.
Ele ressaltou que há obstáculos claros na Constituição que dificultam o debate sobre a redução da maioridade penal. Segundo o parlamentar, mais útil para coibir a violência é “dar cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente, incompreendido e não cumprido, cuja faceta punitiva precisava ser lembrada”.
Lei antiga
O Código de Processo Penal fará 67 anos em 2008. O parlamentar comunista lembra que a legislação que regula o julgamento dos homicidas é a mesma há quase sete décadas. “Obviamente esse anacronismo faz com que haja um enorme tempo entre a data do fato delituoso, criminoso, que choca a sociedade e vitima famílias, e o momento em que finalmente o Poder Judiciário consegue entregar o resultado de sua atividade”, avaliou.
Flávio Dino faz apelo para que as matérias relativas ao tema da segurança pública sejam encarados como um dos desafios no Legislativo Federal logo neste início de 2008.
"Vários projetos de lei visando melhorar a questão da Segurança Pública no Brasil foram apresentados ou desengavetados na época do caso João Hélio, num esforço considerável mas que, agora, deve ser levado adiante, ou seja, eles precisam ser votados pelo Congresso e colocados em prática o mais rápido possível".
Proposta do DEM
O projeto de redução da maioria penal que tramita no Senado é de autoria do então senador e hoje governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM). Se chegar à Câmara, encontrará outras 20 propostas de emenda Constituição tratando do mesmo assunto. Na Câmara, a mais antiga PEC que trata da redução da maioridade penal, tramita na Casa há 15 anos desde 1993. Até hoje não foi votada por falta de entendimento.
Por ser uma proposta de emenda Constituição, a matéria precisa ser aprovada em dois turnos no plenário antes de seguir para a Câmara dos Deputados. Para isso, são necessários os votos favoráveis de pelo menos 49 dos 81 senadores. Se esse placar não for atingido, a proposta é arquivada.
Um ano da morte
No último dia 7 de fevereiro, completou um ano da morte do menino João Hélio, que foi morto por assaltantes num subúrbio do Rio de Janeiro, arrastado preso ao cinto de segurança do carro recém roubado de sua mãe, durante sete quilômetros.
O caso causou grande comoção, mobilizando a Câmara dos Deputados, cuja Comissão de Segurança Pública promoveu uma série de debates com especialistas de todo o país sobre os problemas da área, recebendo, inclusive, os pais de João Hélio.
De BrasíliaMárcia Xavier
PC do B terá candidatos a prefeitos e vereadores na região
O PCdoB deverá marcar presença forte nos palanques dos municípios da Região, apresentando candidatos a prefeito em Santa Brígida, Macururé, Rodelas e Nova Glória.É o que informa Geraldo Alves, Presidente do Diretório Municipal e Regional do partido.
Em Rodelas, informa o presidente regional do PCdoB, “o Engenheiro Emanoel está na disputa ao executivo, acompanhado por diversas lideranças dentre as quais haverá ainda uma composição vitorioso ao legislativo;”
Em Nova Glória, afirma Geraldo, “o camarada Edvaldo (DI) também está na disputa ao executivo. Teremos também camaradas na disputa ao legislativo”.
E continua o presidente do PCdoB: “Em Macururé teremos o camarada Jose Hozório na disputa ao executivo.
"Também O PCdoB de Santa Brígida estará na disputa ao executivo neste município e uma equipe de pré-candidatos ao legislativo, com o intuito de consolidar o processo de articulação para uma política de esquerda ao entorno da ética, da construção de políticas públicas afirmativas de juventude, mulher, meio ambiente, trabalhadores e trabalhadoras rurais, de saúde, educação, habitação, saneamento...
Reafirmamos o compromisso do PCdoB, na luta por dignidade humana.Nosso pré-candidato a Prefeito do Município de Santa Brígida, será o Jovem Marquinho Boleta”, diz Geraldo.
Em Paulo Afonso, onde o PCdoB estará apoiando a candidatura de Raimundo Caires e onde estão filiados, dentre outros os ex-vereadores Regivaldo Coriolano, atual Secretário de Desenvolvimento Econômico e Ivanete Bento, Geraldo informa que “teremos 12 Candidatos a Vereador”.
Antônio Galdino
Em Rodelas, informa o presidente regional do PCdoB, “o Engenheiro Emanoel está na disputa ao executivo, acompanhado por diversas lideranças dentre as quais haverá ainda uma composição vitorioso ao legislativo;”
Em Nova Glória, afirma Geraldo, “o camarada Edvaldo (DI) também está na disputa ao executivo. Teremos também camaradas na disputa ao legislativo”.
E continua o presidente do PCdoB: “Em Macururé teremos o camarada Jose Hozório na disputa ao executivo.
"Também O PCdoB de Santa Brígida estará na disputa ao executivo neste município e uma equipe de pré-candidatos ao legislativo, com o intuito de consolidar o processo de articulação para uma política de esquerda ao entorno da ética, da construção de políticas públicas afirmativas de juventude, mulher, meio ambiente, trabalhadores e trabalhadoras rurais, de saúde, educação, habitação, saneamento...
Reafirmamos o compromisso do PCdoB, na luta por dignidade humana.Nosso pré-candidato a Prefeito do Município de Santa Brígida, será o Jovem Marquinho Boleta”, diz Geraldo.
Em Paulo Afonso, onde o PCdoB estará apoiando a candidatura de Raimundo Caires e onde estão filiados, dentre outros os ex-vereadores Regivaldo Coriolano, atual Secretário de Desenvolvimento Econômico e Ivanete Bento, Geraldo informa que “teremos 12 Candidatos a Vereador”.
Antônio Galdino
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Periferias da França se armam de câmaras
Exasperados com os estereótipos sobre a periferia mostrados na televisão, jovens das chamadas "cités" tomam o poder midiático. Com humor ou sátira, ternura ou raiva, eles descrevem em vídeo seu cotidiano. Curtas-metragens, reportagens, documentários com cheiro de concreto, que podem ser encontrados.
Pascale Krémer / Le Monde
Reformulemos os clichês. Na periferia, os jovens não rodam só sobre a cabeça, no estilo hip-hop. Eles também rodam filmes. Médias, curtas, supercurtas metragens de ficção, mas também documentários e reportagens. Vendidos em forma de DVD, e principalmente divulgados de graça em sites da internet, que às vezes parecem verdadeiros canais de TV na Web, em videoblogs ou sites de compartilhamento como Dailymotion... Qualquer que seja a forma e o suporte final, com modos de organização variados (coletivo informal, associação, ateliê de centro cultural municipal), a criação de vídeo ferve nas periferias.
Depois do esporte, da música, da moda, a idéia de que é possível se exprimir, ganhar um reconhecimento social -e por que não?, a vida- graças ao audiovisual toma corpo. Prova disso é a oferta atual de diversos festivais de curta-metragem na França. Como o Regards Jeunes sur la Cité, do Oroleis (estrutura afiliada à Liga do Ensino): 120 curtas sobre os bairros em competição, "porque não podemos receber mais", explicam. "Mas há cada vez mais criações, cuja qualidade melhora a cada ano."
Não é preciso procurar muito para encontrar os principais motivos desse entusiasmo. As ferramentas, câmeras digitais e software de edição se democratizaram, seus preços desabaram e sua utilização foi simplificada ao extremo.
A força da imagem
Outra evidência: os jovens das periferias, como todos os outros, pertencem à geração da imagem, onipresente em seu cotidiano -televisão, videogames, internet, celulares... Ela é sua forma de expressão natural, enquanto a escrita muitas vezes os desanima. É preciso, por exemplo, entender como o coletivo En Attendant Demain [Esperando o amanhã], da periferia de Bordeaux, concebe suas engraçadas minificções: "Nós contamos situações. Improvisamos, os diálogos surgem. Filmamos. Depois transcrevemos. E depois filmamos para valer. Porque se começarmos diretamente pelo texto, isso exclui alguns jovens".
Reconquista de uma linguagem que não é a do ensino tradicional, e da qual eles captaram toda a força. Mas também trabalhos com benefícios terapêuticos para sua própria imagem, afim de contrabalançar a veiculada nas mídias. A campanha presidencial de 2002, em que a temática da insegurança foi tão presente, e sobretudo os tumultos do outono de 2005 e depois 2007, deixaram marcas. Desilusão, desconfiança no melhor dos casos, desprezo muitas vezes, ou mesmo franca hostilidade: os jovens das "cités", que têm a impressão de serem incessantemente estigmatizados, não cultivam em relação à mídia, e principalmente a televisão, os melhores sentimentos. Um deles, hoje autor de reportagens, resume, lapidar e definitivo: "O jornalista é alguém que vai contar idiotices sobre os jovens, que os trai. Como o policial".
Exasperação
Passando para trás da câmera, eles se reapropriam de sua imagem. Por que esperar uma evolução na qual não acreditam mais, quando podem criar suas próprias mídias alternativas? "Depois de 2005, dissemos chega, não deixaríamos mais que falassem da gente daquele jeito, de uma maneira prejudicial, violenta! Que a palavra devia vir de dentro", afirma Ernesto Oña, do coletivo En Attendant Demain. "Sabemos que hoje a imagem é o poder. A grande mídia. Daí a idéia de nos apoderarmos dela, de tomar o controle. É um ato político. Uma espécie de golpe!"
Omar Dawson, 29, brilhante súdito britânico, chegou à "cité" Grande Borne, em Grigny (departamento de Essonne), aos 5 anos. Depois de um diploma de comércio internacional e um ano de experiência profissional na América do Sul, ele envia 200 currículos e recebe uma única oferta, para telemarketing temporário.
"Eu não mandava foto, só meu nome e o endereço, isso dá indícios. Minha motivação para criar o site na Web veio daí. Essa dramatização do problema da insegurança em nossa periferia nos prejudica. É impensável que as pessoas façam carreira levando preconceito a toda uma população! Não negamos os problemas, mas eles não se comparam com o que foi descrito!"
A exasperação diante da mídia tradicional: é o ponto comum de todos esses jovens que se apoderam da câmera. Basta tocar no tema e surge uma chuva de críticas. Os jornalistas trabalham com pressa, não têm tempo de conversar com as pessoas, de pesquisar, não conhecem nada da periferia, só vão lá quando há confusão, servem a interesses comerciais e políticos, só se interessam pelo espetacular que pode confirmar seus preconceitos, os eternos estereótipos sobre a periferia e seus habitantes -um mundo à parte de violência, de delinqüência, de sofrimento, povoado por estupradores, traficantes, ladrões e radicais encapuzados... A ponto de usar atalhos e truques técnicos para obter a imagem e o objetivo esperados.
"Não acreditamos mais na mídia"
Cada um tem sua história, o evento detonador da tomada de poder midiático. O borbulhante Mourad Boudaoud, 21, que sonha ser ator, ou talvez diretor, e atualmente filma temas para o site Regards2banlieue, lembra-se de uma reportagem sobre um traficante em seu bairro. Em segundo plano, via-se um canal. Acontece que não há canais em sua "cité". Sadio Doucouré, uma jovem que trabalha para os Engraineurs, em Pantin (departamento de Seine-Saint-Denis), e coloca como premissa "Não acreditamos mais na mídia", conta que antes das eleições de 2002 uma jornalista da televisão pública veio ao bairro de Courtillières (Pantin).
Bandos rivais acabavam de se enfrentar na Défense (Paris). "Ela estava sob pressão. Veio a Pantin porque é perto de Paris, porque é fotogênico e não há grandes malandros que roubam as câmeras. Ela interrogou alguns garotos na saída do colégio. Evidentemente, eles estavam superanimados. Ela perguntou como eles acertavam suas diferenças. 'Passamos pelo arsenal!', fanfarronou uma menina, para ter certeza de que sairia na TV. A jornalista não insistiu, e à noite, no JT, havia um esconderijo de armas em Courtillières..." Os Engraineurs fizeram disso uma reportagem e um docu-ficção, "Sale réput" [Suja reputação], com a atriz Isabelle Carré.
É "para dominar as imagens que saem" que Sadio faz filmes hoje. "Para mostrar as coisas como são, sem negar a realidade de uma periferia de exilados, precisando de renovação, reservada às pessoas originárias da imigração. Para falar da vida simplesmente. Eu vivo na 'cité'. E não tem nada a ver com o que mostram. O problema é que depois de todas essas reportagens as pessoas têm medo de vir aqui, o que reforça a ruptura entre nós e os outros. E depois, forçosamente, as pessoas acreditam na imagem que divulgam delas. Elas se identificam."
Imagens chocantes
Omar Dawson foi marcado pela passagem pela Grande Borne de uma jornalista de um semanário de grande circulação. "Ela ficou vários meses, foi bem recebida. E no final saíram uma matéria intitulada 'Eu vivi na cidade do medo' e um livro de pura ficção. Muitas pessoas se sentiram traídas. Ela falava de crianças apavoradas que dormiam com uma faca de cozinha na mão. Uma foto em contraluz de um monte de pedras em um estacionamento em reforma se transformou em 'Certas partes de Grigny parecem devastadas pela guerra'!"
Chocado por essa encenação, Omar filma "Grignyfornia", uma comédia de 80 minutos sobre o funcionamento da mídia e seu impacto sobre os jovens da periferia. Ou como dois espertos financiam suas férias em Cuba ("Chega de passeios a Trouville com a prefeitura!") vendendo às televisões as imagens chocantes que elas adoram. Choques e guerras de gangues mais reais que as de verdade, entrevistas fraudulentas de radicais que exigem cursos de pilotagem e treinam os meninos do bairro para se atirar contra muros de patinete...
Sucesso individual
Depois, em dezembro de 2007, em um pequeno lugar emprestado pela prefeitura, com algum dinheiro da mesma e do conselho geral de Essone, Omar Dawson lança Icetream TV, um canal de TV "das culturas urbanas" na internet. "Uma TV de bairros, e não do bairro", explica. "Uma mídia participativa, para que parem de falar do nosso lugar. Quando as pessoas sabem que têm uma possibilidade de se exprimir, a coisa funciona. Um jovem que participou dos tumultos veio nos propor uma idéia de tema: como e por que começam os tumultos!"
Mourad Lakehal, sócio de Omar nessa aventura, apresentador cômico estreando na Icetream TV, sonha em "dessimplificar as coisas". "Sinceramente, não é o país dos sonhos, mas gosto muito de Grigny. Eu vejo todo um potencial, a riqueza das pessoas."
Destin Ndza também os vê, ele que produz reportagens para a Regards2banlieue. "Mudar a periferia, não vamos conseguir falando só de carros em chamas. Nesses bairros há uma energia que precisamos ecoar." Então descobrimos em todos esses sites uma série de iniciativas associativas ou empresariais felizes. Uma solidariedade entre os moradores.
Belos casos de sucesso individual. Uma verdadeira criatividade artística entre os jovens. Em suma, tantos temas positivos que, sob o fogo da crítica, as próprias mídias clássicas começam a propor. Mas o que marca nessa produção de vídeo que deveria restabelecer uma espécie de verdade sobre a periferia é o humor, o formidável sentido de autozombaria com o qual são tratadas as questões, aliás onipresentes, da discriminação e da exclusão social.
Os jovens não se apresentam obrigatoriamente como vítimas da sociedade. A autocrítica domina. "O humor é o fundo do desespero. Rimos de nossas próprias tristezas porque se não rirmos enlouquecemos. É kafkiana a vida na periferia, é de enlouquecer! E depois é melhor fazer os outros rirem do que culpá-los, isso os toca mais: já os faz entrar em nosso universo. De repente, temos algo em comum", entusiasma-se um dos fundadores do coletivo En Attendant Demain, que produz pequenos quadros cômicos da vida no bairro -onde os jovens aparecem sob uma luz pouco lisonjeira mas terrivelmente humana.
Humor e ironia
Rimos francamente desde o início desse documentário (De la Cité à la Campagne) de CitéArt, associação de Vigneux-sur-Seine (Essonne), quando os jovens instalados em um carro para ir filmar no interior percebem de repente que nenhum deles tem carteira de motorista. Ou diante do videoblog dos Shaolyn Gen-Zu (no site www.vsd.fr). Esses cinco "rappers" de Clichy-Montfermeil (Seine-Saint-Denis) se filmam em suas cansativas tribulações cotidianas para divulgar seu disco: seus atrasos patológicos ("Que horas são? Mas que horas são?", um deles se enerva, no escuro, fechado em um armário por seus colegas exasperados por tê-lo esperado demais).
A venda do CD sobre caixotes no mercado. A turnê pelas Fnac da França para colocar seu disco ("Todas as Fnac nos dizem para procurar outra Fnac. Mas, bom, a gente não sossega!"). Seu show na Festa do l'Humanité, na entrada da qual eles não conseguem convencer ninguém de que são artistas esperados. E onde se pode almoçar um menu de ostras e lagostim. "32 euros! 32 euros por camarões?"
Cúmulo da ironia: a televisão, que involuntariamente provocou todas essas novas vocações, começa a se interessar de perto por essa produção. Recentemente, a TF1 anunciou a intenção de procurar na periferia jovens roteiristas e diretores de talento. O Canal+ localizou a equipe do En Attendant Demain e encomendou três ficções de 26 minutos, que transmitirá em junho. Um belo começo de revanche para a periferia.
Fonte: Le MondeTradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves / UOl Mídia Global
Pascale Krémer / Le Monde
Reformulemos os clichês. Na periferia, os jovens não rodam só sobre a cabeça, no estilo hip-hop. Eles também rodam filmes. Médias, curtas, supercurtas metragens de ficção, mas também documentários e reportagens. Vendidos em forma de DVD, e principalmente divulgados de graça em sites da internet, que às vezes parecem verdadeiros canais de TV na Web, em videoblogs ou sites de compartilhamento como Dailymotion... Qualquer que seja a forma e o suporte final, com modos de organização variados (coletivo informal, associação, ateliê de centro cultural municipal), a criação de vídeo ferve nas periferias.
Depois do esporte, da música, da moda, a idéia de que é possível se exprimir, ganhar um reconhecimento social -e por que não?, a vida- graças ao audiovisual toma corpo. Prova disso é a oferta atual de diversos festivais de curta-metragem na França. Como o Regards Jeunes sur la Cité, do Oroleis (estrutura afiliada à Liga do Ensino): 120 curtas sobre os bairros em competição, "porque não podemos receber mais", explicam. "Mas há cada vez mais criações, cuja qualidade melhora a cada ano."
Não é preciso procurar muito para encontrar os principais motivos desse entusiasmo. As ferramentas, câmeras digitais e software de edição se democratizaram, seus preços desabaram e sua utilização foi simplificada ao extremo.
A força da imagem
Outra evidência: os jovens das periferias, como todos os outros, pertencem à geração da imagem, onipresente em seu cotidiano -televisão, videogames, internet, celulares... Ela é sua forma de expressão natural, enquanto a escrita muitas vezes os desanima. É preciso, por exemplo, entender como o coletivo En Attendant Demain [Esperando o amanhã], da periferia de Bordeaux, concebe suas engraçadas minificções: "Nós contamos situações. Improvisamos, os diálogos surgem. Filmamos. Depois transcrevemos. E depois filmamos para valer. Porque se começarmos diretamente pelo texto, isso exclui alguns jovens".
Reconquista de uma linguagem que não é a do ensino tradicional, e da qual eles captaram toda a força. Mas também trabalhos com benefícios terapêuticos para sua própria imagem, afim de contrabalançar a veiculada nas mídias. A campanha presidencial de 2002, em que a temática da insegurança foi tão presente, e sobretudo os tumultos do outono de 2005 e depois 2007, deixaram marcas. Desilusão, desconfiança no melhor dos casos, desprezo muitas vezes, ou mesmo franca hostilidade: os jovens das "cités", que têm a impressão de serem incessantemente estigmatizados, não cultivam em relação à mídia, e principalmente a televisão, os melhores sentimentos. Um deles, hoje autor de reportagens, resume, lapidar e definitivo: "O jornalista é alguém que vai contar idiotices sobre os jovens, que os trai. Como o policial".
Exasperação
Passando para trás da câmera, eles se reapropriam de sua imagem. Por que esperar uma evolução na qual não acreditam mais, quando podem criar suas próprias mídias alternativas? "Depois de 2005, dissemos chega, não deixaríamos mais que falassem da gente daquele jeito, de uma maneira prejudicial, violenta! Que a palavra devia vir de dentro", afirma Ernesto Oña, do coletivo En Attendant Demain. "Sabemos que hoje a imagem é o poder. A grande mídia. Daí a idéia de nos apoderarmos dela, de tomar o controle. É um ato político. Uma espécie de golpe!"
Omar Dawson, 29, brilhante súdito britânico, chegou à "cité" Grande Borne, em Grigny (departamento de Essonne), aos 5 anos. Depois de um diploma de comércio internacional e um ano de experiência profissional na América do Sul, ele envia 200 currículos e recebe uma única oferta, para telemarketing temporário.
"Eu não mandava foto, só meu nome e o endereço, isso dá indícios. Minha motivação para criar o site na Web veio daí. Essa dramatização do problema da insegurança em nossa periferia nos prejudica. É impensável que as pessoas façam carreira levando preconceito a toda uma população! Não negamos os problemas, mas eles não se comparam com o que foi descrito!"
A exasperação diante da mídia tradicional: é o ponto comum de todos esses jovens que se apoderam da câmera. Basta tocar no tema e surge uma chuva de críticas. Os jornalistas trabalham com pressa, não têm tempo de conversar com as pessoas, de pesquisar, não conhecem nada da periferia, só vão lá quando há confusão, servem a interesses comerciais e políticos, só se interessam pelo espetacular que pode confirmar seus preconceitos, os eternos estereótipos sobre a periferia e seus habitantes -um mundo à parte de violência, de delinqüência, de sofrimento, povoado por estupradores, traficantes, ladrões e radicais encapuzados... A ponto de usar atalhos e truques técnicos para obter a imagem e o objetivo esperados.
"Não acreditamos mais na mídia"
Cada um tem sua história, o evento detonador da tomada de poder midiático. O borbulhante Mourad Boudaoud, 21, que sonha ser ator, ou talvez diretor, e atualmente filma temas para o site Regards2banlieue, lembra-se de uma reportagem sobre um traficante em seu bairro. Em segundo plano, via-se um canal. Acontece que não há canais em sua "cité". Sadio Doucouré, uma jovem que trabalha para os Engraineurs, em Pantin (departamento de Seine-Saint-Denis), e coloca como premissa "Não acreditamos mais na mídia", conta que antes das eleições de 2002 uma jornalista da televisão pública veio ao bairro de Courtillières (Pantin).
Bandos rivais acabavam de se enfrentar na Défense (Paris). "Ela estava sob pressão. Veio a Pantin porque é perto de Paris, porque é fotogênico e não há grandes malandros que roubam as câmeras. Ela interrogou alguns garotos na saída do colégio. Evidentemente, eles estavam superanimados. Ela perguntou como eles acertavam suas diferenças. 'Passamos pelo arsenal!', fanfarronou uma menina, para ter certeza de que sairia na TV. A jornalista não insistiu, e à noite, no JT, havia um esconderijo de armas em Courtillières..." Os Engraineurs fizeram disso uma reportagem e um docu-ficção, "Sale réput" [Suja reputação], com a atriz Isabelle Carré.
É "para dominar as imagens que saem" que Sadio faz filmes hoje. "Para mostrar as coisas como são, sem negar a realidade de uma periferia de exilados, precisando de renovação, reservada às pessoas originárias da imigração. Para falar da vida simplesmente. Eu vivo na 'cité'. E não tem nada a ver com o que mostram. O problema é que depois de todas essas reportagens as pessoas têm medo de vir aqui, o que reforça a ruptura entre nós e os outros. E depois, forçosamente, as pessoas acreditam na imagem que divulgam delas. Elas se identificam."
Imagens chocantes
Omar Dawson foi marcado pela passagem pela Grande Borne de uma jornalista de um semanário de grande circulação. "Ela ficou vários meses, foi bem recebida. E no final saíram uma matéria intitulada 'Eu vivi na cidade do medo' e um livro de pura ficção. Muitas pessoas se sentiram traídas. Ela falava de crianças apavoradas que dormiam com uma faca de cozinha na mão. Uma foto em contraluz de um monte de pedras em um estacionamento em reforma se transformou em 'Certas partes de Grigny parecem devastadas pela guerra'!"
Chocado por essa encenação, Omar filma "Grignyfornia", uma comédia de 80 minutos sobre o funcionamento da mídia e seu impacto sobre os jovens da periferia. Ou como dois espertos financiam suas férias em Cuba ("Chega de passeios a Trouville com a prefeitura!") vendendo às televisões as imagens chocantes que elas adoram. Choques e guerras de gangues mais reais que as de verdade, entrevistas fraudulentas de radicais que exigem cursos de pilotagem e treinam os meninos do bairro para se atirar contra muros de patinete...
Sucesso individual
Depois, em dezembro de 2007, em um pequeno lugar emprestado pela prefeitura, com algum dinheiro da mesma e do conselho geral de Essone, Omar Dawson lança Icetream TV, um canal de TV "das culturas urbanas" na internet. "Uma TV de bairros, e não do bairro", explica. "Uma mídia participativa, para que parem de falar do nosso lugar. Quando as pessoas sabem que têm uma possibilidade de se exprimir, a coisa funciona. Um jovem que participou dos tumultos veio nos propor uma idéia de tema: como e por que começam os tumultos!"
Mourad Lakehal, sócio de Omar nessa aventura, apresentador cômico estreando na Icetream TV, sonha em "dessimplificar as coisas". "Sinceramente, não é o país dos sonhos, mas gosto muito de Grigny. Eu vejo todo um potencial, a riqueza das pessoas."
Destin Ndza também os vê, ele que produz reportagens para a Regards2banlieue. "Mudar a periferia, não vamos conseguir falando só de carros em chamas. Nesses bairros há uma energia que precisamos ecoar." Então descobrimos em todos esses sites uma série de iniciativas associativas ou empresariais felizes. Uma solidariedade entre os moradores.
Belos casos de sucesso individual. Uma verdadeira criatividade artística entre os jovens. Em suma, tantos temas positivos que, sob o fogo da crítica, as próprias mídias clássicas começam a propor. Mas o que marca nessa produção de vídeo que deveria restabelecer uma espécie de verdade sobre a periferia é o humor, o formidável sentido de autozombaria com o qual são tratadas as questões, aliás onipresentes, da discriminação e da exclusão social.
Os jovens não se apresentam obrigatoriamente como vítimas da sociedade. A autocrítica domina. "O humor é o fundo do desespero. Rimos de nossas próprias tristezas porque se não rirmos enlouquecemos. É kafkiana a vida na periferia, é de enlouquecer! E depois é melhor fazer os outros rirem do que culpá-los, isso os toca mais: já os faz entrar em nosso universo. De repente, temos algo em comum", entusiasma-se um dos fundadores do coletivo En Attendant Demain, que produz pequenos quadros cômicos da vida no bairro -onde os jovens aparecem sob uma luz pouco lisonjeira mas terrivelmente humana.
Humor e ironia
Rimos francamente desde o início desse documentário (De la Cité à la Campagne) de CitéArt, associação de Vigneux-sur-Seine (Essonne), quando os jovens instalados em um carro para ir filmar no interior percebem de repente que nenhum deles tem carteira de motorista. Ou diante do videoblog dos Shaolyn Gen-Zu (no site www.vsd.fr). Esses cinco "rappers" de Clichy-Montfermeil (Seine-Saint-Denis) se filmam em suas cansativas tribulações cotidianas para divulgar seu disco: seus atrasos patológicos ("Que horas são? Mas que horas são?", um deles se enerva, no escuro, fechado em um armário por seus colegas exasperados por tê-lo esperado demais).
A venda do CD sobre caixotes no mercado. A turnê pelas Fnac da França para colocar seu disco ("Todas as Fnac nos dizem para procurar outra Fnac. Mas, bom, a gente não sossega!"). Seu show na Festa do l'Humanité, na entrada da qual eles não conseguem convencer ninguém de que são artistas esperados. E onde se pode almoçar um menu de ostras e lagostim. "32 euros! 32 euros por camarões?"
Cúmulo da ironia: a televisão, que involuntariamente provocou todas essas novas vocações, começa a se interessar de perto por essa produção. Recentemente, a TF1 anunciou a intenção de procurar na periferia jovens roteiristas e diretores de talento. O Canal+ localizou a equipe do En Attendant Demain e encomendou três ficções de 26 minutos, que transmitirá em junho. Um belo começo de revanche para a periferia.
Fonte: Le MondeTradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves / UOl Mídia Global
Unaids elogia campanha do Brasil de prevenção ao HIV
Agência diz que mensagens para foliões do carnaval provam criatividade do programa de combate à Aids do Brasil. O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Unaids, afirmou que a campanha brasileira de prevenção do vírus para foliões é mais um sinal da eficiência do programa de combate à doença. A afirmação é do diretor-adjunto de Iniciativas Globais do Unadis, Louis Loures, à Rádio ONU, em Genebra.
Matéria atualizada às 21h para acréscimo de informações
Página inicial do site da campanha: http://www.qualsuaatitude.com.br
''Eu acho que já é uma tradição da resposta brasileira, trazer a questão da prevenção da Aids num momento cultural, de festa, como é o carnaval no Brasil, é também parte desse exemplo. Acho que, sem dúvida nenhuma, a distribuição de camisinhas tem um impacto e é parte da resposta brasileira. E a resposta brasileira é talvez hoje a melhor resposta de Aids no mundo'', disse.
A campanha de prevenção ao HIV para os foliões do carnaval, que começou neste fim de semana, está sendo organizada pelo governo brasileiro com ajuda de spots de rádio e TV. É uma ação que tem prevista a distribuição de 20 milhões de preservativos durante o Carnaval no País inteiro –o dobro do ano passado–, dentro dos 600 milhões previstos para distribuição ao longo do ano. Além disso, o Ministério da Saúde deve distribuir cerca de 100 mil bandanas com mensagens de sexo seguro.
Polêmica com a igreja
A distribuição de preservativos e a disponibilização, na rede de saúde, da pílula do dia seguinte, gerou protestos de líderes dogmáticos da igreja católica, como o arcebispo José Cardoso Sobrinho, da Diocese de Recife e Olinda. Numa atitude irresponsável, a Diocese chegou a entrar com processo na Justiça pedindo a proibição da distribuição de métodos contraceptivos, mas o pedido, obviamente, foi negado.
Em entrevista à revista Carta Capital, o ministro da Saúde José Gomes Temporão, criticou a atitude retrógrada da igreja. ''Eu acho negativo que a Igreja Católica promova uma interferência em uma iniciativa de saúde pública respaldada pelo ministério da Saúde, pela OMS (Organização Mundial da Saúde, órgão veiculado à ONI para questões de Saúde), por pregar a abstinência antes do casamento e o sexo apenas dentro do matrimônio e com fins reprodutivos. Mas este é um dogma de uma religião, que quer estender a sua crença a todos os indivíduos, e não apenas a seus fiéis, como deveria ser.'', disse o ministro.
Ele ressaltou que o Ministério da Saúde defende a utilização do preservativo como combate principalmente às doenças sexualmente transmissíveis, mas também como método contraceptivo. Quanto à iniciativa de Olinda e Recife, Temporão lembrou que essa (distribuição das pílulas) foi uma decisão da Secretaria de Saúde, que verificou por meio de estudos que a gravidez indesejada aumenta de modo considerável durante as festas e tomou uma decisão que diz respeito à saúde pública, e não a dogmas e crenças. ''Decisão essa que está em acordo com as políticas de direitos sexuais e de reprodução determinadas pelo Ministério da Saúde. Vale lembrar que a concessão da pílula do dia seguinte só pode ser feita após a mulher que praticou ato sexual e não tem certeza do funcionamento de outros métodos de concepção passar por médico que vai receitar a pílula e só assim ela pode retirar o medicamento em uma farmácia específica. Mais uma vez, há que se dizer que a iniciativa da Igreja Católica é extremamente conservadora em relação ao sexo, o que é um disparate nos dias atuais'', emendou Temporão.
Segundo ele, ''é razoável que uma determinada religião exija de seus fiéis um comportamento compatível com seus dogmas. Aí os fiéis vão seguir esse padrão de comportamento ou não. Agora querer que toda a sociedade siga esse dogma, e mais, querer interferir numa conduta médica, isso é o mais grave''. ''É como se o bispo quisesse estar assumindo o lugar do médico e arbitrar quem deve ter acesso a um determinado medicamento ou não, baseado em critérios absolutamente leigos. Em critérios que quem acredita, acredita. E quem não acredita tem o direito de não acreditar. E principalmente, chamar a atenção, porque a Igreja se separou do Estado brasileiro há muito tempo, não é? Mas parece que tem gente que insiste em querer submeter a vontade do Estado e da população a padrões filosóficos, morais e religiosos de determinados setores e de determinadas crenças. Isso é inadmissível nos dias de hoje'', disse o ministro.
Temporão finalizou a entrevista lembrando que o uso da camisinha garante a vida e impede a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, principalmente a Aids, ''que é uma doença que mata''. ''Existem 200 mil brasileiros no País em tratamento desta doença e 600 mil brasileiros são portadores do vírus. Então, nós temos uma epidemia, sob controle, mas a questão da informação, da educação e do acesso aos métodos de prevenção são fundamentais. Defender o contrário disso, aí sim, é defender a morte. Querer que as pessoas morram sem proteção, isso não é possível no Brasil dos dias de hoje''.
Gel vaginal
A atuação do Brasil contra o HIV não se restringe às campanhas de esclarecimentos. O governo Lula também tem apostado e investido em pesquisa.
Fruto disso é que, em breve, o Brasil poderá exportar, principalmente para países da África, o gel vaginal desenvolvido a partir de algas marinhas para prevenir infecções do vírus HIV, causador da aids. A afirmação é da professora de Biologia Marinha Valéria Laneuville Teixeira, do Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), que disse que é necessário comprovar se o produto não é tóxico e se é eficaz em seres humanos. Com esses testes prontos, “o Brasil poderá exportar, com certeza”, afirmou Valéria à Agência Brasil .
A especialista conseguiu isolar o composto químico (dolabelladienetriol) extraído da alga marinha parda, encontrada em grande parte da costa brasileira. O composto foi transformado em um gel pelo professor Luiz Roberto Castello Branco, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde, parceiro no projeto.
O gel vaginal funciona como um preventivo contra a aids em relações sexuais. “O certo é usar com a camisinha”, disse Valéria Teixeira. Ela acrescentou, porém, que em alguns países, como a África, o uso da camisinha é quase um tabu.
“Então, a gente está procurando sempre um produto que a mulher possa passar e que o homem nem tenha conhecimento. Porque nessas sociedades, principalmente nos países onde a aids adquire um caráter epidêmico, você tem as mulheres sem muita voz e o machismo imperando. E, geralmente, o homem não quer usar a camisinha. Então, a gente faz muita pesquisa voltada para a mulher, como um fator de prevenção”, declarou a especialista.
O Instituto de Biologia da UFF já iniciou testes em camundongas. Mas, para que o gel vaginal possa ser comercializado é necessário que sejam feitos também testes clínicos, isto é, em pacientes com aids. Valéria Teixeira informou que deverão ser efetuados testes em células humanas de colo de útero. A previsão é de que a fase clínica tenha início em 2009 ou 2010.
A pesquisadora afirmou que o produto também poderá ser adotado pelo Ministério da Saúde em programas de prevenção contra a aids. O ministério tem apoiado o projeto, inclusive em termos financeiros.
“Interessa muito ao Brasil usar uma droga nacional para o coquetel que é dado aos pacientes de aids. O custo é muito alto. Então, se nós tivéssemos um produto nacional para usar, seria muito bom. E o ministério tem dado apoio e incentivo que a gente precisa para trabalhar”, afirmou Valéria Teixeira.
O gel vaginal desenvolvido no Brasil apresenta um custo elevado devido à substância ativa coletada da alga. Valéria Teixeira revelou, porém, que o Instituto de Biologia da UFF já está desenvolvendo estudos, em colaboração com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para cultivar essa alga.
A idéia é que o produto possa ser obtido de maneira mais rápida, sem degradar o meio ambiente. “O que a gente quer é ter a substância sem ficar extraindo a alga do ambiente. É o desejável”, afirmou.
Fonte: Rádio das Nações Unidas e Radiobras
Matéria atualizada às 21h para acréscimo de informações
Página inicial do site da campanha: http://www.qualsuaatitude.com.br
''Eu acho que já é uma tradição da resposta brasileira, trazer a questão da prevenção da Aids num momento cultural, de festa, como é o carnaval no Brasil, é também parte desse exemplo. Acho que, sem dúvida nenhuma, a distribuição de camisinhas tem um impacto e é parte da resposta brasileira. E a resposta brasileira é talvez hoje a melhor resposta de Aids no mundo'', disse.
A campanha de prevenção ao HIV para os foliões do carnaval, que começou neste fim de semana, está sendo organizada pelo governo brasileiro com ajuda de spots de rádio e TV. É uma ação que tem prevista a distribuição de 20 milhões de preservativos durante o Carnaval no País inteiro –o dobro do ano passado–, dentro dos 600 milhões previstos para distribuição ao longo do ano. Além disso, o Ministério da Saúde deve distribuir cerca de 100 mil bandanas com mensagens de sexo seguro.
Polêmica com a igreja
A distribuição de preservativos e a disponibilização, na rede de saúde, da pílula do dia seguinte, gerou protestos de líderes dogmáticos da igreja católica, como o arcebispo José Cardoso Sobrinho, da Diocese de Recife e Olinda. Numa atitude irresponsável, a Diocese chegou a entrar com processo na Justiça pedindo a proibição da distribuição de métodos contraceptivos, mas o pedido, obviamente, foi negado.
Em entrevista à revista Carta Capital, o ministro da Saúde José Gomes Temporão, criticou a atitude retrógrada da igreja. ''Eu acho negativo que a Igreja Católica promova uma interferência em uma iniciativa de saúde pública respaldada pelo ministério da Saúde, pela OMS (Organização Mundial da Saúde, órgão veiculado à ONI para questões de Saúde), por pregar a abstinência antes do casamento e o sexo apenas dentro do matrimônio e com fins reprodutivos. Mas este é um dogma de uma religião, que quer estender a sua crença a todos os indivíduos, e não apenas a seus fiéis, como deveria ser.'', disse o ministro.
Ele ressaltou que o Ministério da Saúde defende a utilização do preservativo como combate principalmente às doenças sexualmente transmissíveis, mas também como método contraceptivo. Quanto à iniciativa de Olinda e Recife, Temporão lembrou que essa (distribuição das pílulas) foi uma decisão da Secretaria de Saúde, que verificou por meio de estudos que a gravidez indesejada aumenta de modo considerável durante as festas e tomou uma decisão que diz respeito à saúde pública, e não a dogmas e crenças. ''Decisão essa que está em acordo com as políticas de direitos sexuais e de reprodução determinadas pelo Ministério da Saúde. Vale lembrar que a concessão da pílula do dia seguinte só pode ser feita após a mulher que praticou ato sexual e não tem certeza do funcionamento de outros métodos de concepção passar por médico que vai receitar a pílula e só assim ela pode retirar o medicamento em uma farmácia específica. Mais uma vez, há que se dizer que a iniciativa da Igreja Católica é extremamente conservadora em relação ao sexo, o que é um disparate nos dias atuais'', emendou Temporão.
Segundo ele, ''é razoável que uma determinada religião exija de seus fiéis um comportamento compatível com seus dogmas. Aí os fiéis vão seguir esse padrão de comportamento ou não. Agora querer que toda a sociedade siga esse dogma, e mais, querer interferir numa conduta médica, isso é o mais grave''. ''É como se o bispo quisesse estar assumindo o lugar do médico e arbitrar quem deve ter acesso a um determinado medicamento ou não, baseado em critérios absolutamente leigos. Em critérios que quem acredita, acredita. E quem não acredita tem o direito de não acreditar. E principalmente, chamar a atenção, porque a Igreja se separou do Estado brasileiro há muito tempo, não é? Mas parece que tem gente que insiste em querer submeter a vontade do Estado e da população a padrões filosóficos, morais e religiosos de determinados setores e de determinadas crenças. Isso é inadmissível nos dias de hoje'', disse o ministro.
Temporão finalizou a entrevista lembrando que o uso da camisinha garante a vida e impede a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, principalmente a Aids, ''que é uma doença que mata''. ''Existem 200 mil brasileiros no País em tratamento desta doença e 600 mil brasileiros são portadores do vírus. Então, nós temos uma epidemia, sob controle, mas a questão da informação, da educação e do acesso aos métodos de prevenção são fundamentais. Defender o contrário disso, aí sim, é defender a morte. Querer que as pessoas morram sem proteção, isso não é possível no Brasil dos dias de hoje''.
Gel vaginal
A atuação do Brasil contra o HIV não se restringe às campanhas de esclarecimentos. O governo Lula também tem apostado e investido em pesquisa.
Fruto disso é que, em breve, o Brasil poderá exportar, principalmente para países da África, o gel vaginal desenvolvido a partir de algas marinhas para prevenir infecções do vírus HIV, causador da aids. A afirmação é da professora de Biologia Marinha Valéria Laneuville Teixeira, do Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), que disse que é necessário comprovar se o produto não é tóxico e se é eficaz em seres humanos. Com esses testes prontos, “o Brasil poderá exportar, com certeza”, afirmou Valéria à Agência Brasil .
A especialista conseguiu isolar o composto químico (dolabelladienetriol) extraído da alga marinha parda, encontrada em grande parte da costa brasileira. O composto foi transformado em um gel pelo professor Luiz Roberto Castello Branco, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde, parceiro no projeto.
O gel vaginal funciona como um preventivo contra a aids em relações sexuais. “O certo é usar com a camisinha”, disse Valéria Teixeira. Ela acrescentou, porém, que em alguns países, como a África, o uso da camisinha é quase um tabu.
“Então, a gente está procurando sempre um produto que a mulher possa passar e que o homem nem tenha conhecimento. Porque nessas sociedades, principalmente nos países onde a aids adquire um caráter epidêmico, você tem as mulheres sem muita voz e o machismo imperando. E, geralmente, o homem não quer usar a camisinha. Então, a gente faz muita pesquisa voltada para a mulher, como um fator de prevenção”, declarou a especialista.
O Instituto de Biologia da UFF já iniciou testes em camundongas. Mas, para que o gel vaginal possa ser comercializado é necessário que sejam feitos também testes clínicos, isto é, em pacientes com aids. Valéria Teixeira informou que deverão ser efetuados testes em células humanas de colo de útero. A previsão é de que a fase clínica tenha início em 2009 ou 2010.
A pesquisadora afirmou que o produto também poderá ser adotado pelo Ministério da Saúde em programas de prevenção contra a aids. O ministério tem apoiado o projeto, inclusive em termos financeiros.
“Interessa muito ao Brasil usar uma droga nacional para o coquetel que é dado aos pacientes de aids. O custo é muito alto. Então, se nós tivéssemos um produto nacional para usar, seria muito bom. E o ministério tem dado apoio e incentivo que a gente precisa para trabalhar”, afirmou Valéria Teixeira.
O gel vaginal desenvolvido no Brasil apresenta um custo elevado devido à substância ativa coletada da alga. Valéria Teixeira revelou, porém, que o Instituto de Biologia da UFF já está desenvolvendo estudos, em colaboração com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para cultivar essa alga.
A idéia é que o produto possa ser obtido de maneira mais rápida, sem degradar o meio ambiente. “O que a gente quer é ter a substância sem ficar extraindo a alga do ambiente. É o desejável”, afirmou.
Fonte: Rádio das Nações Unidas e Radiobras
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Sai o Edital do concurso da Prefeitura de Paulo Afonso
Acaba de sair, na manhã desta quinta-feira, dia 31 de janeiro, a certificação do concurso público da Prefeitura Municipal de Paulo Afonso, por meio de edital publicado pela Consulplan, empresa vencedora da licitação do concurso e responsável direta pela elaboração e aplicação das provas. De acordo com este edital, as novas inscrições poderão ser feitas via internet ou de forma presencial nas seguintes datas e horários:Inscrições Via Internet De 10h do dia 11 de fevereiro até as 22h do dia 27 de fevereiro de 2008, no site www.consulplan.net Via PresencialDe 18 de fevereiro a 27 de fevereiro de 2008, exceto sábados, domingos e feriados, no Parque de Exposição Djalma Wanderley, BA 210, km 07, Paulo Afonso das 9h ás 15h. Segundo informações do próprio edital; o candidato poderá acessar o site da Consulplan a partir de 17 de março de 2008 para imprimir o Cartão de Confirmação de sua inscrição, na qual estará especificado o horário, local e sala de realização da prova escrita.Das ProvasAs provas objetivas e de múltipla escolha serão realizadas na cidade Paulo Afonso – BA, com data inicialmente prevista para o dia 30 de março de 2008 com duração máxima de três horas para sua realização, incluindo o tempo despendido com o processo de identificação civil 5.4.6 do edital da Consulplan e a distribuição dos cadernos de provas e cartões de respostas aos candidatos, além de outras orientações a serem dadas pelo fiscal de sala. O local da realização da prova escrita, para qual deverá se dirigir o candidato será divulgado com antecedência de pelo menos cinco dias no quadro de avisos da prefeitura de Paulo Afonso e no site www.consulplan.net. Considerando que esse processo do Concurso Público tem gerado polêmica e dúvidas, acreditamos que seja importante que haja um canal direto de comunicação local com o público para tirar alguma dúvida de interpretação do edital. Sugerimos que a Consulplan mantenha um plantão permanente junto à Ouvidoria do Município que já dispõe do telefone 0800 284 3281. O Jornal Folha Sertaneja estará acompanhando todas as etapas desse processo e informando, na edição impressa e no Folha Sertaneja On line tudo o que ocorrer sobre este Concurso Público promovido pela Prefeitura de Paulo Afonso, inclusive a cobertura da realização das provas e divulgação dos resultados.
Antônio Galdino, com informação da ASCOM/PMPA
Antônio Galdino, com informação da ASCOM/PMPA
BALANÇO DE ATENDIMENTO A MULHER, ATÉ 31/12/2007
Informações sobre atividades da DEAM-Delegacia de Atendimento a Mulher
Início de Funcionamento: 10/07/2007
301 ocorrências Policiais Registradas, sendo que destas as principais foram:
86 Lesões Corporais
96 Ameaças de Agressores
33 Difamações
13 Injúrias
04 Calúnias
06 Estupros
05 Ato Infracional
14 Prisões, sendo 9 em flagrantes e 5 Preventivas
Diga não a violência contra a Mulher, Denúncie:
Geraldo Alves ( Pastoral Social e Membro do Conselho dos Direitos da Mulher)
Início de Funcionamento: 10/07/2007
301 ocorrências Policiais Registradas, sendo que destas as principais foram:
86 Lesões Corporais
96 Ameaças de Agressores
33 Difamações
13 Injúrias
04 Calúnias
06 Estupros
05 Ato Infracional
14 Prisões, sendo 9 em flagrantes e 5 Preventivas
Diga não a violência contra a Mulher, Denúncie:
Geraldo Alves ( Pastoral Social e Membro do Conselho dos Direitos da Mulher)
Ministério da Cultura premia 260 iniciativas de valorização da cultura popular
Dessa vez, o prêmio homenageou o pernambucano Mestre Duda, ligado ao frevo.O prêmio foi dividido em 3 categorias: mestres e grupos tradicionais, iniciativas de governos (prefeituras e governos estaduais) e iniciativas da sociedade civil organizada. Brasília - O primeiro dia de 2008 é especialmente de festa para os grupos de cultura popular espalhados pelo Brasil. É que 31 de dezembro foi o último dia para o Ministério da Cultura pagar os R$ 10 mil de cada iniciativa vencedora do Prêmio Culturas Populares 2007. Dessa vez, o prêmio homenageou Mestre Duda por causa das comemorações dos 100 anos de frevo em Pernambuco. Ao todo, foram 260 premiados, divididos em 3 categorias: mestres e grupos tradicionais, iniciativas de governos (prefeituras e governos estaduais) e iniciativas da sociedade civil organizada. O principal objetivo do prêmio é ajudar os grupos de culturas populares a se manterem e estimular as prefeituras para que realizem festivais para difundir as tradições populares.
“Temos hoje uma necessidade de difundir e divulgar essas culturas. A maioria dessas manifestações tem alguma ligação com a parte religiosa, com promessas, com as festas. Outras são brincadeiras só para fruição dessas comunidades”, disse o gerente da secretaria da identidade e da diversidade cultural do Ministério da Cultura, Américo Córdola, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional. Segundo ele, além de valorizar o folclore e as tradições populares, a secretaria também está fazendo um registro da diversidade lingüística do Brasil.
Fonte: Agência Brasil
“Temos hoje uma necessidade de difundir e divulgar essas culturas. A maioria dessas manifestações tem alguma ligação com a parte religiosa, com promessas, com as festas. Outras são brincadeiras só para fruição dessas comunidades”, disse o gerente da secretaria da identidade e da diversidade cultural do Ministério da Cultura, Américo Córdola, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional. Segundo ele, além de valorizar o folclore e as tradições populares, a secretaria também está fazendo um registro da diversidade lingüística do Brasil.
Fonte: Agência Brasil
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